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Um momento de bobeira, eternizou uma saudade

By 21:49


Oi pessoal, tudo bem com vocês?
Hoje quero começar um quadro novo aqui no blog. Quero dividir com vocês várias histórias de mulheres que me impressionaram ou marcaram a minha vida.
As histórias são reais, porém, para preservar a identidade dessas mulheres, alguns dados e fatos serão mudados.
Espero que gostem dessas histórias e que a vida de vocês possa ser edificada com elas.

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Ela era linda. Estava no auge da sua beleza. Com 16 anos, resplandecia a beleza que tinha internamente e externamente. A sua vida não era perfeita, ao contrário, era cheia de cicatrizes. Mas nenhuma marca conseguia arrancar o sorriso dos seus lábios e a sua alegria de viver. Ela contagiava a todos.
Lembro-me dela rodeada por amigos. Sempre sorrindo. Sempre arrumando o seu longo cabelo encaracolado e falando mais do que a própria boca.
Éramos amigas? Não. Na verdade eu a vi por pouco tempo, foram apenas alguns dias. Mas ela era do tipo que cativava a todos com o seu doce olhar.
Pra uma menina de 16 anos, ela já havia sofrido tanto, que mesmo com toda a delicadeza de menina, ela foi forte o suficiente para sorrir mesmo após ter sido abandonada pela própria mãe. Mas tudo bem, aquela marca com o tempo já não doía tanto e ela havia encontrado uma mãe substituta. Dizem quem amigos são irmãos que escolhemos. E ela tinha essa amiga, que de tão amiga, tornou-se irmã e dividiu sua própria mãe com ela.
Eram as três. Ali sempre juntas. Uma cuidando da outra. Uma dando o carinho que a outra precisava. E tudo bem ela não ter o mesmo sangue daquela nova mãe e irmã. Tudo bem. Elas tinham o mesmo amor que as unia.

Fico me perguntando se são os amigos que influenciam as pessoas, ou se as coisas apenas acontecem porque tem que acontecer.
Nadia, tinha muitos amigos, e entre eles, alguns poderiam ser intitulados como boas companhias e outros como não tão  boas assim, mas de certa forma, ela os amava. Era o que ela tinha de precioso, seus amigos.
E quem poderia imaginar que seria no meio deles, em uma tarde regada de boas risadas, que tudo se tornaria tão doloroso e que apenas a saudade ficaria.

Naquela tarde, na companhia dos seus amigos, Nádia sorria e brincava. No meio das brincadeiras e conversas, Pedro, um de seus amigos chegou e trouxe com ele um revólver que havia achado no meio das coisas do seu pai. Ele não era uma pessoa ruim, era apenas alguém que gostava de se gabar. Quando viu o revólver de seu pai, logo pensou em pegá-lo e sair mostrando para seus amigos. E ao chegar na roda de amigos em que Nadia estava, ele ficou brincando e mostrando o revólver. Todos ficaram animados e entraram na brincadeira. Pedro disse que a arma estava sem balas, e em uma brincadeira boba, apontava o revólver para os amigos e puxava o gatilho. E de fato, nada aconteceu nas duas vezes em que ele brincou desse jeito.
O revólver passou de mão em mão até que chegou em Nadia. Ela estava animada e sentindo-se toda poderosa. Em um momento de brincadeira e muita risada, ela apontou o revólver para sua própria cabeça e disse: Já pensou se eu puxo o gatilho e tem uma bala?! Naquele instante, enquanto ainda sorria após ter falado tal bobeira, Nadia puxou o gatilho e as suas palavras tornaram-se reais. Havia uma única bala no revólver. A bala que Pedro jurava não existir. A bala que acabou com o sorriso de Nadia. A bala que a transformou em saudade.

O disparo na cabeça foi fatal. Aquela doce menina de cabelos encaracolados e sorriso frouxo, caiu ali diante dos seus amigos. Sem chance de dizer o seu último adeus. Sem dar aos seus amigos a chance de socorrê-la. Ela apenas... ela apenas.

Quando recebi a ligação sobre a morte dela, foi a minha primeira experiência em perder alguém que eu tinha tanto carinho. Não éramos amigas, não éramos próximas e nem sequer morávamos na mesma cidade. Mas era ela, a menina doce que apenas cativava a todos com o seu sorriso. Me lembro de naquele dia chorar muito, ao ponto de precisar ser consolada pela minha mãe. Me lembro também de pensar no quanto somos frágeis e que em um momento podemos estar sorrindo e no outro já nem existirmos mais. A nossa vida é como uma vela, que com apenas um sopro pode se apagar.

Hoje, sempre penso nela e na lição que ela me ensinou. Penso em como quero ser cheia de amigos e em como quero sorrir mesmo tendo cicatrizes. Fazem mais de 10 anos que ela se foi. Mas a história dela e a forma como ela se foi, precisa continuar latejando no nosso coração. Pra que vidas não se tornem saudade de forma tão imprudente. Pra que todas as meninas doces e alegres que existem por aí, não brinquem com a própria vida. Pra que outras meninas não deixem o coração dos seus amigos tão cheios de saudade.

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Bom pessoal, essa foi a história dessa pessoa que passou pela minha vida de forma tão rápida e tão especial. Tenho pensado muito nela nesses dias, por isso achei que deveria começar esse quadro com a história dela.
Peço com carinho que compartilhem essa história pra que mais meninas não brinquem de forma tão imprudente com as suas vidas. Seja apontando uma arma pra própria cabeça ou de qualquer outra forma.

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