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Ela não dança mais.

By 23:00 ,



Era uma noite de primavera. Ela estava deitada no sofá após um longo e cansativo dia de trabalho. Seus pés estavam doloridos e suas costas ainda mais. Todos haviam saído com seus "pares", mas ela estava ali deitada na companhia de suas dores. Uma música qualquer começou a tocar e quando ela menos percebeu, aquela solidão começou a incomodar o seu coração.

Nenhum ser humano nasce para viver sozinho. E por mais que as vezes ela desejasse ficar sozinha, naquele momento, tudo que ela queria era alguém que a fizesse sorrir. Ele poderia dizer a frase boba que existisse, ela sorriria apenas pelo aconchego de ter alguém ali se esforçando para vê-la sorrir. A inquietação daquela solidão foi se tornando tão intensa que ela já nem sabia mais no que pensar ou o que fazer para se esquecer que estava ali sozinha.

Ela aumentou o volume da música que tocava e, como uma tentativa desesperada, ela esqueceu as dores que estava sentindo e começou a dançar. Todos aqueles acordes e sinfonias foram tomando conta do seu corpo e transparecendo em forma de movimento. Enquanto dançava, lágrimas rolavam em sua face. Ela se esqueceu de suas dores físicas e apenas a dor da alma pulsava em seu corpo. Corpo este, que parecia flutuar em cada movimento daquela dança. Não se tratava de uma coreografia ou de um estilo de dança, era apenas a sua alma extravasando todas as suas dores.

Quando a música acabou, ela deitou no chão com o seu corpo já transpirando e se lembrou do motivo que havia feito com que ela parasse dançar. Hoje, ela não dança mais. Nem mesmo passinhos ensaiados. E ela não dança mais por causa de todas as lembranças que a dança traz ao seu coração. Ela se lembrou que a dança sempre existiu em sua vida como forma de refúgio. Sempre que algo incomodava o seu coração, ela dançava para não ter que lidar com determinada situação. Mas com isso, ela foi acumulando sobre a dança, todas as suas piores lembranças, emoções e sensações.

Dançar só fez com que ela se lembrasse que mais uma vez estava ali sozinha. Sentindo as mesmas dores, com motivos diferentes. Ela não quer mais voltar a dançar por que não quer mais se esconder e um movimento. Naquela noite de primavera, ela só queria alguém que a fizesse sorrir sem depois ser o motivo de suas lágrimas.

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